Alta no número de empresas em reestruturação reforça a necessidade de planejamento jurídico e financeiro diante de um cenário de crédito restrito e inadimplência crescente
Por Elaine D'Ávila
O número de empresas em recuperação judicial no Brasil atingiu patamar recorde em 2025, com 2.466 CNPJs envolvidos em processos de reestruturação, segundo levantamento da Serasa Experian. O dado representa um aumento de 13% em relação ao ano anterior e evidencia a intensificação das dificuldades financeiras enfrentadas por empresas em um ambiente de crédito mais seletivo e juros ainda elevados.
O crescimento dos pedidos reforça uma tendência já observada nos últimos anos: a recuperação judicial tem se consolidado como instrumento de reorganização financeira e não apenas como medida extrema diante de uma situação pré-falimentar, como não era incomum ocorrer quando do advento da lei de recuperação judicial nos idos de 2005.
Em 2025, foram registrados 977 processos, o maior volume desde 2016, indicando que empresas de diferentes setores vêm recorrendo ao mecanismo para ajustar balanços e preservar suas atividades.
Entre os setores mais impactados, destacam-se a agropecuária e os serviços, que concentram a maior parte das empresas em recuperação. A exposição a fatores como variação de preços, dependência de crédito e volatilidade de receita contribui para o aumento da necessidade de renegociação de passivos nesses segmentos.
Apesar do avanço das recuperações judiciais, os pedidos de falência apresentaram queda, indicando uma mudança de comportamento no mercado. A preferência por mecanismos de reestruturação, em detrimento da liquidação de empresas, demonstra uma busca maior por soluções que permitam a continuidade das operações e a preservação de empregos.
Para especialistas, o cenário exige atenção. A inadimplência empresarial ainda permanece elevada, o que pode sinalizar novos pedidos de recuperação judicial nos próximos períodos.
Segundo a advogada Luciana Abreu - especialista em direito empresarial no Gameiro Advogados recuperação judicial é uma ferramenta de reorganização financeira e preservação da atividade empresarial. Quanto mais cedo a empresa enfrenta a necessidade de tratar suas dívidas de uma forma viável e busca orientação profissional, contábil, financeira e jurídica, maiores são as chances de uma reestruturação eficiente e continuidade saudável do negócio.
Na prática, o aumento dos pedidos reflete não apenas dificuldades financeiras, mas também uma maior compreensão do instrumento jurídico como alternativa viável para reorganização. Diante de um cenário econômico ainda desafiador em 2026, a tendência é que empresas passem a adotar medidas preventivas, com foco em planejamento jurídico e financeiro integrado.
Com informações da Serasa Experian


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